12 de nov de 2017

Genderqueer (GQ; ou não-binário)


É um "termo guarda-chuva" (termo que, neste caso, embarca várias identidades diferentes dentro de si) para identidades de gênero que não sejam exclusivamente homem nem mulher, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade. Pessoas que se identificam como genderqueer podem ter variadas identidades de genero, entre as quais:

tanto homem quanto mulher (pessoa bigênera, trigênera, pangênera/multigénera)
parcialmente homem ou mulher (pessoa demigénera)
nem homem, nem mulher (pessoa sem gênero, agênera)
fluida entre os gêneros (gênero fluido)
terceiro gênero ou outro-gênero; incluindo pessoas que não nomeiam seu gênero

Diferença entre género, expressão de género e sexo biológico
O sexo biológico relaciona-se com o corpo, e é designado à nascença por médicos com base nas genitálias independentemente do género com que os bebés se possam vir a identificar mais tarde. Há 3 sexos: masculino, feminino e intersexo.

O género é uma questão de autopercepção e não se prende com fatores externos. Uma pessoa pode ser cis (identifica-se com o género designado à nascença) ou trans (pode ser transexual - passa por tratamento médico para se assemelhar ao que a sociedade percepciona como o género com que ela se identifica - ou pode ser transgénero - não passando por tratamento médico, devido a razões pessoais, económicas ou outras). Sendo trans, pode identificar-se com um género binário (homem ou mulher) ou não-binário (ver adiante).

Expressão de género resulta de uma combinação entre comportamento social e maneirismos, com aparência (penteado, roupas...), e é geralmente encarada como feminina ou masculina. Considera-se que quem não exibe um alinhamento entre o que se considera feminino ou masculino é andrógino ou género não-conformativo.

Termos de Genero
Geral
Algumas pessoas genderqueer preferem utilizar pronomes neutros, tais como "one", "ze", "sie", "hir", "co", "ey" ou a versão singular de "they", "their" and "them", enquanto outros preferem os pronomes binários convencionais "ela" ou "ele". Há ainda pessoas genderqueer que preferem que sejam referidas por pronomes alternados, variando por exemplo entre "ele" e "ela", e outras preferem não usar pronomes de todo. Muitas pessoas genderqueer preferem o uso de uma linguagem neutra adicional, tal como (em Inglês) o título "Mx" em vez de Mr. ou Ms.

Genderqueer foi uma das 56 opções de identidade de genero adicionadas ao Facebook em Fevereiro de 2014.

Ao contrário do que se possa pensar, a identificação com géneros não-binários não tem qualquer correlação com o facto de alguém ser, ou não, intersexo.

Genero Fluido
O género com que a pessoa se identifica varia através do tempo: às vezes sente-se cis, outras vezes trans binário, outras vezes trans não-binário, noutras identifica-se com vários géneros, ou com nenhum. A velocidade com que o género muda varia de pessoa para pessoa, e para alguém se considerar género fluido, não tem de experienciar identificar-se com todos os géneros. Além disso, género fluido não é uma mistura de identidades – é uma identidade própria.

Agenero e Neutrois
Apesar de tenderem a confundir-se, e de várias pessoas aplicarem a si mesmas ambos os termos, implicam coisas diferentes: o primeiro associa-se à negação de uma identificação, enquanto que o segundo é uma identificação-própria, relativamente aos géneros binários.

Agenero: Significa “sem género”, e quer dizer que a pessoa não se identifica com nenhum género, nem mesmo o fluido.

Neutrois: Identifica-se como sendo género neutro. É diferente de não ter género.

Demigénero:Implica uma conexão parcial em relação a um certo género, sendo um termo guarda-chuva que engloba, por exemplo, demiboy (alguém que se identifica parcialmente com o género masculino) ou demigirl…

Multigénero:Identificação simultânea (mas com graus de identificação variáveis) com 2 ou mais géneros. Ver também: pangénero.

História
A palavra genderqueer tem origem nos anos 90, e começou por ser chamada "Gender Queer" antes que se tornasse uma única palavra. O significado original era literalmente "queer gender", traduzido para Português como "género estranho".

O uso mais antigo da palavra é atribuído a Riki Anne Wilchins, ativista dos direitos LGBT+, que utilizou o conceito na primavera de 1995 na newsletter In Your Face

https://pt.wikipedia.org
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